A manifestação “Acorda, Brasil”, realizada em Brasília e convocada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), foi interpretada por parlamentares da oposição como uma demonstração de mobilização e organização da direita brasileira. O movimento foi associado ao legado político do ex-presidente Jair Bolsonaro e à atuação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado por aliados como liderança agregadora do campo conservador.
O ato marcou o encerramento de uma caminhada de cerca de 240 quilômetros, realizada ao longo de sete dias, com saída de Paracatu até a capital federal. Apesar da chuva e de condições climáticas adversas, milhares de manifestantes participaram do protesto, muitos vindos de diferentes regiões do país. De acordo com dados informados pela Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, o público estimado variou entre 50 mil e 100 mil pessoas ao longo de aproximadamente quatro horas de manifestação.
Mobilização e discurso da oposição
Para integrantes da oposição, o ato simboliza a consolidação de um movimento nacional alinhado a pautas conservadoras e à defesa de valores associados ao bolsonarismo. Parlamentares avaliam que Flávio Bolsonaro tem exercido papel central na articulação política e na busca por unidade do campo da direita.
O deputado Carlos Jordy (PL-RJ) destacou o impacto político e emocional da mobilização. Segundo ele, a participação popular reforça a disposição da oposição em manter a atuação política. “Essa chama inflamou no nosso coração, e nós não vamos desistir do Brasil”, afirmou.
Já o deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP) avaliou que o protesto evidenciou um distanciamento entre o discurso do governo federal e o sentimento de parte da população. Para ele, cresce a percepção de insatisfação com o atual cenário político e institucional.
Na mesma linha, o deputado Ubiratan Sanderson (PL-RS) ressaltou o caráter pacífico da manifestação e afirmou que a mobilização continuará. “Vamos seguir mobilizando o povo brasileiro”, declarou. O deputado Rodrigo Valadares (União-SE) afirmou que o ato simboliza um fortalecimento da direita e a retomada de um sentimento de esperança entre os apoiadores.
Bolsonarismo mantém protagonismo na oposição
Nos bastidores, parlamentares reconhecem que a capacidade de mobilização observada no “Acorda, Brasil” está ligada à referência política construída por Jair Bolsonaro e à atuação de Flávio Bolsonaro na articulação institucional e eleitoral da direita. Para aliados, o movimento reforça que o bolsonarismo segue como principal força de oposição, mesmo fora do poder, com capacidade de reunir grandes públicos e influenciar o debate político nacional.
Para os organizadores e participantes, a manifestação transmitiu a mensagem de continuidade da mobilização e de manutenção da expectativa de mudança no cenário político brasileiro.