Estadão: Lulinha admite a interlocutores que teve voo e hotel pagos por lobista investigado no caso INSS

Reportagem do jornal O Estado de S. Paulo informa que Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, teria admitido a interlocutores que teve passagem aérea em primeira classe e hospedagem pagas pelo empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, durante viagem a Portugal no fim de 2024.

Antunes está preso e é investigado por suspeita de envolvimento em um esquema de fraudes no INSS que teria causado prejuízos a aposentados e pensionistas. Segundo o jornal, Lulinha afirma que a viagem teve como objetivo avaliar um possível negócio no setor de cannabis medicinal, mas nega ter firmado sociedade ou recebido outros valores.

Investigação e quebra de sigilos

O vínculo entre Lulinha e Antunes passou a ser investigado após um ex-funcionário do lobista afirmar à Polícia Federal que ambos seriam sócios e que haveria repasses mensais ao filho do presidente. A PF também identificou mensagens nas quais Antunes mencionaria transferências destinadas ao “filho do rapaz”, expressão que está sob análise no inquérito.

No âmbito da CPMI do INSS, o sigilo bancário de Lulinha foi quebrado para aprofundar as apurações. Antunes é acusado de realizar pagamentos a ex-dirigentes do INSS que teriam facilitado descontos indevidos em benefícios previdenciários.

Versão apresentada por Lulinha

De acordo com o Estadão, pessoas próximas a Lulinha afirmam que o contato com Antunes ocorreu por intermédio da empresária Roberta Luchsinger, também investigada. O convite para visitar uma fábrica de cannabis medicinal em Aveiro teria partido do próprio Antunes.

Segundo essa versão, Lulinha viajou com o lobista, ficou hospedado em hotel pago por ele e recebeu convite para integrar o empreendimento, mas a sociedade não teria sido formalizada.

Procurados pelo jornal, Lulinha e Antunes não teriam se manifestado. A empresária citada não foi localizada.

Documentos em Portugal

A reportagem menciona ainda documentos apreendidos pela PF que indicariam a aquisição de um galpão em Aveiro, no valor de 2,7 milhões de euros, com sinal pago no início de 2025. O nome de Lulinha não consta nos registros do negócio, mas ele teria visitado o local meses antes.

Repercussão política

O caso amplia o debate político em torno das investigações relacionadas ao INSS e ao entorno do presidente Lula. Até o momento, não há decisão judicial que atribua responsabilidade penal a Lulinha, e as apurações seguem em andamento nas instâncias competentes.

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