Especialistas em perícia digital afirmam que a PF dispõe de ferramentas capazes de acessar e recuperar dados de celulares apreendidos, mesmo quando os aparelhos estão protegidos por senha, desligados ou com informações aparentemente apagadas.
Segundo peritos ouvidos pela imprensa, os dispositivos passam por diferentes métodos técnicos de análise após a apreensão. Caso uma ferramenta não consiga acessar determinado conteúdo, outras podem ser utilizadas de forma complementar, ampliando as chances de recuperação de dados pela PF.
Extração “bit por bit”
Entre os programas mencionados estão Cellebrite e GrayKey, tecnologias utilizadas pela PF em investigações criminais para realizar a chamada extração completa — também conhecida como cópia “bit por bit”.
Esse procedimento replica integralmente o conteúdo armazenado no dispositivo, incluindo fragmentos residuais de arquivos excluídos. Mesmo quando o usuário apaga mensagens, o sistema pode manter registros técnicos do envio.
De acordo com o perito em crimes digitais Wanderson Castilho, permanecem armazenados os chamados logs, que registram:
- data e horário do envio
- tipo de arquivo
- destinatário
- caminho do arquivo no sistema
Mensagens de visualização única
Em investigações recentes conduzidas pela PF, foi apontado o uso de mensagens com visualização única no WhatsApp — recurso que permite que imagens e vídeos desapareçam após serem visualizados.
Contudo, especialistas explicam que essas imagens precisam estar previamente salvas no aparelho antes do envio. Mesmo que sejam excluídas posteriormente, podem deixar rastros técnicos recuperáveis durante a perícia realizada pela PF.
Ainda que o conteúdo exato da imagem nem sempre seja imediatamente acessível, é possível identificar que houve o envio, quando ocorreu e para quem foi direcionado.
Momento da apreensão é decisivo
Peritos destacam que o momento da apreensão do aparelho pode ser determinante para a preservação das provas. Se os arquivos ainda estiverem armazenados no dispositivo no momento da extração, o espelhamento dos dados pode garantir acesso ao material, mesmo após tentativas de exclusão.
As técnicas de perícia digital utilizadas pela PF são consideradas fundamentais em investigações que envolvem comunicação eletrônica, especialmente em casos de alta complexidade e grande repercussão institucional.