Revisão indica deterioração das contas públicas e pressiona meta de resultado zero
O governo federal revisou, nesta sexta-feira (21), a projeção de déficit primário para 2025. O rombo estimado passou de R$ 30,2 bilhões para *R$ 34,2 bilhões, segundo dados do *Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias do 5º bimestre. A nova estimativa amplia o desafio fiscal da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A piora decorre sobretudo do Programa de Dispêndios Globais (PDG), que contabiliza gastos das empresas estatais. A previsão de desembolsos para esse conjunto de instituições aumentou, pressionando o resultado fiscal projetado.
Mesmo desconsiderando o PDG, o resultado permanece negativo: o déficit seria de R$ 31,2 bilhões, acima da estimativa anterior.
Meta de déficit zero fica comprometida
O governo mantém como objetivo alcançar resultado primário zero em 2025, com faixa de tolerância de ±0,25% do PIB — cerca de R$ 31 bilhões.
Com a nova projeção de *R$ 34,2 bilhões, o valor excede o limite permitido, o que obrigará o Executivo a promover um *bloqueio adicional de R$ 3,3 bilhões em despesas no próximo ano.
A alteração reforça a dificuldade do governo em cumprir o arcabouço fiscal aprovado em 2023, cujo centro é justamente o compromisso com o equilíbrio das contas ao longo dos próximos anos.
Receita diminui e despesa aumenta
Os dados oficiais mostram um descompasso entre arrecadação e gastos:
- Receita primária revisada: de R$ 2,924 trilhões para R$ 2,922 trilhões
- Despesa primária revisada: de R$ 2,417 trilhões para R$ 2,418 trilhões
Ou seja, houve redução na estimativa de receitas acompanhada de elevação nas despesas, o que ampliou o déficit projetado.
Estatais têm impacto relevante
A revisão também aponta aumento das necessidades de financiamento das estatais federais, cujos gastos acumulados via PDG influenciaram a piora no quadro fiscal. Analistas de mercado têm chamado atenção para o crescimento das despesas nessas empresas e seus efeitos sobre o resultado consolidado.
Projeções futuras dependem de execução rigorosa
Apesar da revisão negativa, o governo mantém previsão de melhora gradual das contas públicas nos anos seguintes:
- 2026: superávit de 0,25% do PIB (R$ 33,1 bilhões)
- 2027: superávit de 0,50% do PIB (R$ 70,7 bilhões)
- 2028: superávit de 1% do PIB (R$ 150,7 bilhões)
No entanto, parte dos economistas avalia que o cumprimento dessas metas dependerá de medidas adicionais de contenção de gastos, aumento de receitas e maior disciplina na execução orçamentária.
Com a nova revisão, o governo chega ao fim de 2024 enfrentando um cenário fiscal mais apertado e pressão crescente para equilibrar contas públicas já em 2025.