O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estuda medidas para tentar reduzir o preço dos alimentos, incluindo a flexibilização da fiscalização sanitária no transporte de produtos entre estados. A proposta, revelada pela revista Exame, gerou preocupações sobre segurança alimentar e qualidade dos produtos consumidos pela população.
O que está em discussão?
O pacote de medidas deve ser anunciado pelo ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, ainda nesta quinta-feira (6). O governo está negociando as mudanças com entidades do setor, incluindo:
- ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal)
- ABIEC (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne)
- ABRAS (Associação Brasileira de Supermercados)
Entre as principais medidas em análise está a flexibilização da inspeção sanitária, permitindo que alimentos circulem entre estados sem passar pelos sistemas de controle como SIM, SISB e SIF.
Risco à segurança alimentar
Embora a intenção seja aumentar a oferta de produtos e reduzir preços, especialistas alertam para os riscos da flexibilização sanitária, que pode comprometer a qualidade e a segurança dos alimentos. A inspeção garante que carnes, laticínios e outros produtos estejam livres de contaminações e doenças antes de chegarem ao consumidor.
Além dos impactos internos, a proposta pode comprometer as exportações brasileiras, já que o Brasil é um dos maiores fornecedores de carne do mundo. Qualquer suspeita de afrouxamento das fiscalizações pode prejudicar a credibilidade do setor e gerar restrições comerciais em mercados internacionais.
Conclusão
A iniciativa do governo pode reduzir o preço dos alimentos, mas às custas da qualidade e da saúde da população. Embora seja necessário encontrar formas de diminuir a burocracia no setor alimentício, qualquer mudança deve garantir que os padrões sanitários sejam mantidos, evitando riscos à saúde pública e à reputação do Brasil no mercado global.