Mais de 45 mil estudantes cegos ou com baixa visão começaram o ano letivo de 2026 sem receber livros didáticos em Braille em escolas públicas de todo o país. O problema ocorre no quarto ano do governo Luiz Inácio Lula da Silva e afeta alunos da rede regular e da Educação de Jovens e Adultos (EJA).
Segundo o jornal *O Globo, a Associação Brasileira da Indústria, Comércio e Serviços de Tecnologia Assistiva (Abridef) afirma que esta é a primeira vez, em cerca de 40 anos, que o governo federal não apresenta cronograma nem reserva orçamento específico para a produção de material acessível. O *Ministério da Educação não informou quando as entregas serão retomadas.
A situação foi confirmada pelo *Instituto Benjamin Constant, órgão vinculado ao MEC e referência histórica no ensino de pessoas com deficiência visual. A instituição relatou ter recebido do *Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação a indicação de que 2026 será um ano de “Braille zero” nas escolas públicas.
Custo baixo, impacto alto
Especialistas ouvidos pelo jornal apontam que a ausência do material não decorre de falta de recursos. O custo estimado para atender todos os estudantes cegos é de aproximadamente R$ 40 milhões — menos de 1% do orçamento do Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD), que supera R$ 5 bilhões. Educadores alertam que a falta de livros em Braille compromete a alfabetização e pode gerar prejuízos cognitivos permanentes.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística indicam que o Brasil tem cerca de 45 mil estudantes cegos em idade escolar. Nos registros do MEC, porém, constam apenas 7.321 alunos. Em 2025, menos da metade desse contingente recebeu livros adaptados; para 2026, a previsão é de que nem mesmo esse grupo seja atendido.
Crise no PNLD
Em nota, o MEC informou que mantém contratos vigentes e que o edital de materiais da EJA está em andamento, mas não explicou os motivos da interrupção na produção de obras em Braille. Segundo O Globo, o PNLD enfrenta atrasos recorrentes e cortes orçamentários desde 2022, afetando a compra de livros de diversas disciplinas.
Entidades do setor alertam que a continuidade do problema aprofunda o isolamento pedagógico de estudantes com deficiência visual, que dependem do sistema tátil para acompanhar os conteúdos escolares.