A popularidade do governo Lula está em queda livre, com sua reprovação ultrapassando 60% em seis estados, conforme aponta a pesquisa Quaest desta semana. Enquanto aliados tentam atribuir a culpa a fatores externos, o Estadão analisou que a erosão do apoio ao presidente se deve a três fatores principais, que formam o chamado ”tripé da rejeição”: erros na economia, apatia política e desconexão com a realidade da população.
1. Erros na Economia
Desde o início do governo, Lula tem enfraquecido sua equipe econômica ao desautorizar publicamente Fernando Haddad, rejeitar o compromisso com o déficit fiscal zero e promover aumentos de impostos, como a polêmica ”taxa das blusinhas”.
Essas medidas geraram insegurança no mercado, elevaram a inflação e deterioraram a confiança dos investidores. O impacto já é sentido no bolso dos brasileiros:
90% da população afirma que o preço dos alimentos disparou no último mês;
Em oito estados, a maioria dos eleitores acredita que a economia piorou em 2024.
2. Apatia Política e Desgaste com Aliados
Lula perdeu o interesse no diálogo político e tem se afastado de governadores, senadores e deputados, inclusive dentro de sua própria base. Sem essa articulação, o governo tem encontrado dificuldade para aprovar projetos no Congresso e sofre com o desinteresse de aliados em defendê-lo.
A pesquisa Quaest mostrou que a maioria dos eleitores sente que Lula não dá atenção ao seu estado, o que contribui para o aumento da rejeição ao governo.
3. Desconexão com a Realidade do Brasileiro
Outro grande problema apontado na análise do Estadão é o distanciamento de Lula dos problemas internos do Brasil. Em vez de se concentrar em segurança pública e saúde, as duas maiores preocupações da população, ele tem priorizado agendas internacionais e declarações polêmicas, como:
A comparação entre Israel e o Holocausto, que gerou tensão diplomática;
A aproximação com Nicolás Maduro, líder da Venezuela;
O alto número de viagens ao exterior – em seis meses, Lula visitou 12 países e passou 31 dias fora do Brasil.
Enquanto isso, no Brasil, a violência cresce e a crise da saúde pública se agrava, sem medidas concretas por parte do governo.
O Peso da Primeira-Dama e o Desgaste Interno
Nos bastidores, há críticas ao protagonismo da primeira-dama Janja da Silva, cujas ações são vistas como prejudiciais ao governo. O sigilo sobre seus gastos e a forma como se envolve em temas da comunicação presidencial geram desgaste adicional para Lula.
No entanto, a responsabilidade final continua sendo do presidente, que recentemente declarou: “a caneta é minha”.
Rejeição Cresce Até em Redutos Petistas
Estados tradicionalmente petistas, como Bahia e Pernambuco, registraram alta expressiva na rejeição a Lula desde dezembro. Além disso, a desaprovação já passa dos 60% em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná, Rio Grande do Sul e Goiás.
Segundo a pesquisa CNT, 44% da população considera o governo ruim ou péssimo, pior índice desde o início do mandato, com um salto de 13 pontos percentuais desde novembro de 2024.
Futuro Político em Risco
Com um cenário cada vez mais negativo e sem estratégias eficazes para conter o desgaste, Lula enfrenta o momento mais delicado de seus três mandatos. Se continuar com a atual trajetória, a reeleição em 2026 pode se tornar um desafio praticamente impossível.